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Maringá, Paraná, Brazil
Às vezes se faz necessário caminharmos contra a corrente para descobrirmos a nós mesmos. O exercício se resume em olhar nos olhos daquele que vem ao nosso encontro!

domingo, 23 de outubro de 2011

ENTRE NÓS





Mesmo que eu conheça
Todas as Psicologias,
Mesmo que domine todas as abordagens,
Técnicas e conceitos;
Mesmo que eu possua
A mais fina habilidade prática
E fale a linguagem de todas as teorias;
Sem o Outro, nada serei!
É no Outro que me constituo humano;
É no ‘Entre’ que encontro
O verdadeiro Amor.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O VERDADEIRO ENCONTRO








Antes de nos encontrarmos com o 'si mesmo',
torna-se impossível o encontro com o Outro.
O verdadeiro encontro
é aquele onde duas 'totalidades' conscientes de 'si mesmo'
despem-se do seu 'Eu' e,
acolhendo o Outro,
deixa-o livre para 'Ser-no-Mundo'.

É deste encontro que provém a felicidade!



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O ENCONTRO






Na tarde ensolarada eu caminhava. Ao calor escaldante dei minha resposta: um sorvete! Atravessei a rua e entrei na sorveteria. A senhora que ali estava atendeu-me sorridente: ‘pois não’?! O sorriso, maior que sua alma, arrancou-me uma recíproca: ‘um sorvete, por favor... de ameixa, se tiver’. Outro sorriso e uma afirmação: ‘huuummm! É o meu preferido. Só um minuto e já lhe atendo’.

A senhora afastou-se e em segundos retornou trazendo-me o pedido: ‘aqui está, de ameixa’. Meus olhos mergulharam na gélida e suculenta paisagem, enquanto minha boca banhava-se em salivas. Por entre sorrisos, paguei-lhe e saí.

Na calçada, em frente a uma lixeira estava o menino. Nossos olhos se encontraram ao acaso e arrancaram-me um outro sorriso. Instintivamente levantei a mão que segurava o sorvete e lhe ofereci: ‘quer um sorvete’? Levantando as mãos mostrou-me o palito e a embalagem de um picolé e respondeu: ‘não, obrigado. Acabei de chupar um’.


O menino caminhou até a lixeira e depositou ali o lixo. Virou-se e quando se preparava para seguir seu caminho um senhor, já de meia idade, cortou-lhe o caminho, apressado. Levou a mão à boca deixando ver o cigarro. Tragou rapidamente e jogou a bituca no chão. A resposta do menino foi imediata: ‘senhor? Senhor’? O homem parou bruscamente e voltou-se para o menino que, mais veloz que meus pensamentos soltou a bomba: ‘o senhor ama a Deus’? O homem olhou-o em silêncio. Parecia estar como eu: estarrecido. A resposta não veio em palavras. O menino replicou: ‘o senhor ama a Deus’? O homem abaixou-se e passando a mão sobre a cabeça do menino perguntou: ‘por que me perguntas’? O menino repetiu pela terceira vez: ‘você ama a Deus’? O silêncio parecia eterno entre eles.

O senhor abraçou o menino, que por segundos ficou inerte. Passou novamente a mão por sobre seus cabelos. Apanhou a bituca do chão e, abrindo o bolso do paletó pegou a carteira de cigarros. Amassou-a fortemente e a jogou na lixeira. Olhou para o menino e, sorrindo, retomou seu caminho.


Meus olhos o acompanharam vendo-o sumir por entre as pessoas que passavam. Não sei por quanto tempo fiquei parado naquela posição. Quando me dei conta o sorvete havia derretido e o menino não mais estava ali. Corri até a esquina e nada! Voltei à sorveteria e um senhor me atendeu: ‘pois não’? Seu sorriso, embora cativante, de nada lembrava a doce senhora que minutos atrás me atendera. Hesitei em perguntar. Sem palavras, gesticulei timidamente e tomei a calçada.


Na mente, uma pergunta ecoava sem resposta: você ama a Deus?

Hoje, quase trinta anos depois, pareço estar mais próximo desta resposta: ‘não é possível ao homem amar o Criador sem amar sua criação. Não é possível chegar ao criador sem estar em relação íntima com o homem, imagem e semelhança do Pai, e com a natureza - frutos do amor eterno'.


O amor é um fio de ouro que perpassa toda criatura e a une ao Criador. Para encontrá-Lo, basta caminhar por este fio, na direção do Outro. O verdadeiro amor exige que nos conheçamos a nós mesmos e, de posse do ‘si mesmo’, intencionalmente, busquemos no Outro, fora de nós, a presença do Eterno: Amor que nos restaura e nos plenifica. O amor reside também em nós, mas quando o encontramos em nós mesmos, sem passar pelo outro, nos tornamos egoístas, possessivos, e excluímos o Outro das nossas vidas; impedimos que o amor frutifique e se espalhe.

É no Outro que mora a felicidade’.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O SILÊNCIO TERAPEUTICO







O silêncio do outro
É sempre maior que as palavras que ele produz.
Portanto, cala-te!
Somente de posse do teu silêncio conseguirás penetrá-lo.
Ouças, pois, o silêncio daqueles que te cercam.
Há nele um grito que ecoa.
Se ouvires,
saberás exatamente como proceder em teu auxílio.
Se não ouvires, é por que ainda não fizeste o silêncio necessário.


(Nivaldo Mossato)




sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O AMOR CEGO






Eu não acredito no Amor...
...no Amor cego!

O Amor, quando cego, ou seja, quando não respeita a individualidade do Outro,

não cria reciprocidade, cria o sentido de ‘poder’, de posse sobre o ser ‘amado’.
Na verdade, este tipo de amor nem mesmo poderia ser entendido como amor;

ele não humaniza, escraviza! Dilacera!

É cárcere da alma, prisão do espírito.
Todo sentimento que não dá ao Outro o sentido de liberdade, não é Amor.

Quem ama, promove o crescimento do ser amado;

capacita-o a realizar seus sonhos e desenvolver suas potencialidades.

Quer vê-lo feliz e realizado.
O amor cego aprisiona o ‘Eu’ e desqualifica o ser amado.

É como se você, ao ouvir o canto matinal de um pássaro,

colocasse um alçapão na sua janela para ‘aprisioná-lo’,

julgando que, preso em sua gaiola você o estaria ‘protegendo’

das intempéries da natureza.

O amor cego suprimi a liberdade!

Erradica a personalidade! Deturpa o ser!
Ninguém gosta de ser usado.

O Amor cego, por torná-lo egoísta,

faz com que você não perceba a pessoa amada como pessoa humana:

torna-a objeto!
O Amor é dádiva que liberta, é alma livre que penetra o Outro

e nele se realiza, realizando-o.
O Amor cego é cisão!

É corte!

É prisão!

É morte!

terça-feira, 16 de agosto de 2011

UMA SANTA VIAGEM










Aquela pulseirinha era mesmo especial. Cada pedrinha colorida tinha um significado também especial: era o registro visível dos pequenos atos de amor que fazia cotidianamente. Era instantâneo: terminava de praticá-los e deslocava uma pedrinha da esquerda para a direita das amarras da pulseira como se dissesse a si mesmo 'pronto! Aqui eu amei'.



Não poucas vezes, as pedrinhas que se acumulavam de um lado da pulseira era um desafio para os seus seis anos de idade: 'tenho que amar'!






Lembro-me do seu sorriso angelical ao correr à minha frente para abrir a porta do elevador. Assim que entrava, olháva-me e sorrateiramente deslocava a pedrinha. Às vezes, na dúvida, perguntava-me: 'pai, abrir a porta do elevador para alguém é um ato de amor'? Sim! Eu lhe respondia. No entanto, o que ela não sabia é que o sorriso estampado em seu rosto era ainda um dom maior de amor. Vê-la sorrir era o grande presente que Deus nos permitia naquele momento de nossas vidas.






Aquela pulseira guardava em seu bojo um verdadeiro exemplo de vida. Passa-me à memória nesse instante os pequenos cartões de visita que desenhava e vendia a R$ 1,00 para as pessoas que vinham lhe visitar, para que, com o dinheiro arrecadado, pudesse ajudar os coleguinhas que também estavam internados na mesma enfermaria do 'Pequeno Príncipe', em Curitiba. Amar era seu lema!






No entanto, o que mais me impressionou foi a força de amor contida naquele pulseira. Depois de uma crise, nosso anjo foi internada na UTI. Seu quadro era bastante grave, mas a esperança era ainda maior.



A hora de visitas se aproximava e nós nos preparávamos para mais um dia de batalha. Minha sogra e minha cunhada sairam na frente para alcançarem o elevador. Eu fui logo atrás, esperando minha esposa que terminava de se arrumar.



Já no corredor escutei um grito. Voltei correndo e me deparei com minha esposa, estarrecida, com as mãos na face e olhos fixos no chão. Ela tremia. Assustado, perguntei-lhe o que acontecera. Ela olhava fixamente para o chão. Foi então que percebi a pulseira caida. Suas mãos trêmulas agora tentavam dar suporte à sua voz, que não se houvia. 'O que foi'? Perguntei-lhe novamente.



Ainda trêmula, balançava a cabeça num esforço sobrenatural de comunicação: 'a... pulseira... ela saltou sozinha da bolsa! Ela saltou... da bolsa...






O pavor estava estampado em seus olhos, mas a certeza foi ainda maior em seu coração: 'Ela esteve aqui! Veio se despedir... era ela, tenho certeza!






Era 22 de setembro de 2.002.



A primavera se abria lá fora.



Em meu peito, uma certeza: o céu estava em festa!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

O PAPALAGUI - Um novo olhar sobre o mundo





Uma profunda reflexão pautada na simplicidade do olhar de um nativo


em relação a forma de vida escolhida pelo


homem moderno.



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(...) Diz o Papalagui:


¨A palmeira é minha¨, só porque está na frente da sua cabana. É como se ele próprio tivesse mandado a palmeira crescer. Mas a palmeira nunca é dele, nunca. A palmeira é a mão que Deus nos estende de sob a terra. Deus tem muitas mãos, muitas mesmo. Toda árvore, toda flor, toda grama, o mar, o céu, as nuvens que o cobrem, tudo isso são mãos de Deus. Podemos pegá-las e nos alegrar, mas não podemos dizer: ¨a mão de Deus é minha mão¨.
Tuiávii.


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Nesta obra, o autor Erich Scheurmann traduz os escritos de Tuiávii, um nativo da ilha de Upolu, na Polinésia, que em viagem pela Europa do século XIX sofre o impacto da diferença cultural existente entre o Papalagui (homem branco) e seu povo. O indígena escreve aos integrantes da sua aldeia (Tiavéa) contando suas experiências (aventuras) na convivência com os europeus e traça um perfil, a seu ver, de como é o mundo do homem branco, como ele vive, quais suas crenças, seus costumes, sua cultura e sua religião.

Com muita sabedoria e discernimento, tomando como base a cultura indígena e o aprendizado obtido junto aos missionários maristas, o protagonista faz um comparativo entre a forma de usufruir a vida adotada pelos papalaguis e a forma adotada pela tribo de onde se originou, levando-nos a uma reflexão profunda sobre a “verdadeira função” do homem sobre a terra.

Tuiávii não conseguindo reconhecer em que se baseiam os valores da comunidade européia descreve com autenticidade, veemência e convicção, o vestir, o morar, a forma de trabalho, de relacionamento e de comunicação adotada pelo papalagui. Descrição essa, que nos faz penetrar num mundo reflexivo, onde a ação humana exercida sobre seus semelhantes e sobre a natureza é, a seu ver, realmente questionável, pois aliena o homem a si mesmo, distanciando-o da sua essência: Deus!

Um choque cultural, que nos leva a rever nosso relacionamento com o trabalho, com os meios de comunicação, com o tempo, com o próximo e, principalmente, conosco e com Deus. Uma lição de vida, baseada na simplicidade de um coração autêntico, sem malícias, como o de uma criança, que perdida em seus sonhos, vendo um mundo novo surgir à frente de seus olhos, volta-se ao Pai e se lança em seus braços buscando refúgio e segurança.


Mesmo que, imersos no contexto desta obra, o “novo” lhe tenha causado “estranheza”; mesmo que a cultura do Papalagui seja completamente diferente da forma de Tuiávii ver o mundo, mesmo que o homem branco tenha o mesmo sentimento de estranheza em relação ao nativo e o choque cultural tenha provocado em ambos uma relativa “repulsão” aos seus costumes, vale a pena refletirmos sobre alguns conceitos, impregnados no cotidiano de nossas vidas, que muitas vezes nos leva ao ponto de nos abdicarmos de nós mesmos, dos nossos sonhos e, principalmente, da plenitude das relações com o outro, com a natureza e com Deus!


Pensemos nisso!